Segunda-feira, Agosto 22, 2011

Já posso chorar lágrimas de sangue pelo que não vai acontecer?

Sempre sofri por antecipação, desde pequenininha. Meus pais sempre disseram isso pra mim, numa tentativa de me fazer "relaxar" e aprender a acompanhar o fluxo natural das coisas. Mas eu não sou assim, eu, controladora como poucas coisas na vida, gosto de previsível. Gosto de acertar e ouvir "sim", gosto de estar certa sobre as coisas...
Mas a senhora vida, irônica como ela só, me deu outro tapa na cara! E uma joelhada na boca do estômago, e ainda riu da minha face quando eu estava no chão. Sim, prezados, fui traída pelos meus próprios planos, aqueles que meticulosamente elaborei no papel, e realizei etapa por etapa. O quesito surpresa chegou como uma sutil bomba atômica em uma época de vulnerabilidade, e enquanto me afogo no chocolate branco, espero que outra oportunidade bata na minha porta e me dê novamente uma perspectiva de futuro.
Esperta como sou, imagino que isso não vá acontecer. A oportunidade não vai bater na minha porta ou janela, mas sinto que ela se esvai como areia entre os dedos, e no tempo precioso que tenho sou obrigada a jogar sujo com a minha vontade própria e me forçar a levantar da cadeira.
Adeus, edredom. Enfrento os treze graus que fazem lá fora, de maneira ainda mais árdua, devido às lágrimas que me escorrem e não consigo segurar.

And all alone I fall to pieces!

MaH • 5:21 PM

Terça-feira, Maio 10, 2011

E eu tenho alguns sonhos, e eles são nuvens no meu café...

Você é TÃO VAIDOSO!
Quando a gente projeta demais em cima de uma pessoa, é isso que acontece! Ele fica vaidoso! Ele lê seus olhares, e seus gestos, que você (mesmo sabendo toda aquela ladainha sobre linguagem corporal) sabe esconder... Você sabe que quer que ele saiba.
E você tem medo de deixá-lo descobrir sobre isso.

É, eu tenho MESMO medo de você. Você foi o que me deixou realmente vulnerável durante todo esse tempo, e eu queria tanto que você enxergasse além dessa vaidade e visse realmente o que eu quero te mostrar...

Enquanto isso, eu encho a cara e escuto Carly Simon.

MaH • 5:23 PM

Quarta-feira, Fevereiro 16, 2011

Voltando a escrever... Aos pouquinhos, mas voltando!

MaH • 11:39 PM

Quinta-feira, Janeiro 20, 2011

(des)ilusões.

Ilusão número um: Somos apenas bons amigos.
Eu nunca vou esquecer do nó da gravata dele, que estava um pouco torto por causa da quantidade de álcool já ingerida, ou o desconforto latejante que denunciava meus pés inchados. O sorriso débil dele à meia luz me encantava enquanto a valsa embalava os outros casais que rodopiavam felizes pelo salão. Depois de uma caminhada lenta, chegamos à conclusão que já passava da hora de termos aquela conversa que já tinhamos terminado e retomado tantas vezes ontem. Então eu assumi, pra ele e pra mim, que seríamos um casal perfeito. Um completava as frases do outro e não existiam lugares que não houvessem recordações nossas. Num ímpeto, minha voz que de ínicio era fraca, ressoou um "eu amo você" tímido e sincero. Depois da réplica "eu também, você é minha melhor amiga. E continuará sempre assim" eu decidi reprimir qualquer outra súplica do meu coração em verbalizar meu sentimentos.
Ilusão número dois: Ele gosta de mim pelo que eu sou.
E depois de meses de ginástica exaustiva, tardes infindáveis na academia e jantares pobríssimos, cheguei ao meu peso ideal. Pintei o cabelo de loiro e renovei o corte, como uma premiação pelo meu esforço. Sentia-me linda e confiante, e encontrei com ele novamente numa roda de amigos. Ele já estudava pro vestibular de medicina, eu ainda curtia meus dias de colegial. Depois que todos os outros amigos foram embora, nós dois começamos a conversar. Ouvi muitos elogios dele, dizendo que eu realmente estava ótimo - era fato, eu estava. E quando eu aproximei meus lábios do rosto dele, ele se afastou de mim e disse que seríamos um casal maravilhoso, mas eu ainda precisava emagrecer um pouco. E que loiro não era uma cor que valorizava meu tom de pele.
Ilusão número três: Curando um amor com outro.
Com minha auto-estima em frangalhos, lancei-me num relacionamento com um sweetheart da escola. Mas não deu certo, porque na primeira vez que brigamos, o nome que saiu da minha boca durante a discussão não foi o dele. E em resposta, eu recebi um "Vê se supera. E não me liga mais."
Ilusão número quatro: Ciúme vai fazer ele me notar.
Meu novo namorado era um primor. Inteligente e engraçado, tinha até um carro. Saímos juntos um dia e então encontramos o motivo das minhas noites de insônia sentado à deriva num bar perto de uma faculdade grande. Pensei que seria minha vez de cumprimenta-lo com indiferença sutil de quem não dá muito valor pra outra pessoa. O palco estava montado e eu seria uma perfeita atriz, uma dama. Ao chegarmos, ele apresentou-se ao meu namorado, que também ficou indiferente à mudança da cor das minhas faces ao olhar no verde pálido dos olhos dele. Após meias palavras trocadas, retirei-me dali. E ao tentar desvendar as mensagens reais da nossa conversa, percebi que não havia nada de oculto. Ele quis dizer o que ele quis dizer. Não ligava pro fato de eu estar acompanhada, acredito que ele tenha até se sentido feliz por mim.
Ilusão número cinco: Ele joga noutro time.
Então tudo ficou muito claro quando um amigo meu resolveu sair do armário. Ele era gay! Eu sempre seria amiga dele por causa disso, porque ele não gostava de mulheres. Afinal, durante todos aqueles anos nunca vi ele com nenhuma garota. E seria um disperdício, um futuro cardiologista como ele poderia ser um ótimo marido. Até que numa noite quente me senti sufocada dentro de casa e escolhi um banco frente à um bebedouro pra sentar e fumar um cigarro, quando a silhueta magra de uma garota loira usando uma saia rodada de cintura alta, um peep toe que poderia ser caro e um relógio dourado adornando um pulso finíssimo acompanhava uma outra silhueta, que eu conhecia muito bem. À aproximação pude reconhecer o meu garoto, o meu melhor amigo, com a irmã mais nova de um cara de fácies primatas ressaltadas por sobrancelhas que eram conectadas por fileiras de pelos acima do osso nasal. Notei que ela também tinha a característica fuça de um marsupial, porém menos acentuada graças aos quilos de maquiagem que ela passara meticulosamente horas antes.
Ilusão número seis: Ele era o cara errado.
Foi então que uma taróloga se ofereceu pra ler a minha mão durante uma feira numa viagem ao litoral. Ela disse que eu já havia encontrado minha outra metade, que ele ficaria calvo antes dos trinta anos e que tinha um gosto peculiar para música. Sabia a quem ela se referia, afinal os cabelos dele já não cobriam a testa há uns anos.
Ilusão número sete: Somos jovens e estamos apenas nos divertindo.
Saímos juntos novamente após inúmeras ligações numa mesma noite, e ao final da noite ele e a garota dirigiam-se ao carro enquanto eu tateava trôpega dentro de minha bolsa por uma baforada de nicotina que acalmaria meus animos e seguraria minhas lágrimas. Notei que a menina me encarava com um misto de dó e repulsa nos olhos frente à cena, quando acendi meu cigarro e certifiquei-me em soltar a fumaça fétida nos cabelos impecáveis dela. Despedi-me do amor da minha vida, querendo despedir da minha vida também.



MaH • 2:59 AM

Quinta-feira, Outubro 28, 2010

Sabe aqueles relacionamentos em que se faltou pouquinho pra dar certo?
Faltou ele gostar de mulher, e não de travesti;
Faltou ele ser menos babaca e não te olhar pelo seu corpo;
Faltou um "bom dia" numa terça-feira de manhã.

Exatamente sobre esses que vim falar hoje. Sobre os "quases", e os "pouquinhos".
Sempre tive o hábito de fazer diários em agendas. Dia desses me deparei com a agenda que guardou o ano mais turbulento da minha vida, e ao dar uma folheada, descobri que o que tornou o ano turbulento foram os "pouquinhos". Encontrei muitas frases que implicavam condições que seriam ideais na minha cabeça, e que meses após as condições saírem do ideal e tornarem-se reais, eu continuei implicando com condições. Outras, mais altas, mais ambiciosa, mais... Bom, condições são condições. Cada um inventa a que quiser.
Eu condicionei meus relacionamentos à uma espécie de adoração: ou no mundo da pessoa existia apenas eu, ou essa pessoa não existiria pra mim. Um reflexo da minha insegurança, sim, mas que foi seguido por cavalheiros ingênuos que negavam as consequencias da idolatria. E no meu mundo do "I can't get no satisfaction", surgiam mais condições, outros tantinhos a serem feitos.
(ô, saco, telefone).
Me cortou o fio da meada.

Bom, outro dia eu continuo. au revoir!

MaH • 4:14 PM